O estilo de dança Jazz, ou Jazz Dance, e suas vertentes, oferece muitas possibilidades de movimentações, estudos e descobertas. É uma forma de dança influenciada por estilos e princípios técnicos do ballet e da dança contemporânea, embora  trate-se de um forma de expressão sustentada pelo improviso. Existem também variações deste estilo, como o Modern Jazz Dance, Soul Jazz, Rock Jazz, Street Jazz, Feeling Jazz, Popular Jazz e o Lyrical Jazz.

Uma breve história do Jazz

Tanto a música quanto a dança jazz, têm suas raízes na cultura afro americana, a partir do século XVIII, principalmente entre os escravos negros das plantações de algodão e tabaco nos EUA. Naturalmente, os elementos dessa dança, foram baseados nas tradições religiosas e culturais tribais africanas, nas quais etnias diferentes compartilham dos mesmos rituais, que por sua vez, incluem a dança.

Contudo, dada opressão do escravagismo, as manifestações artísticas e culturais de matriz africana foram sistematicamente suprimidas e ridicularizadas, como no caso das “Black Faces”, apresentações onde brancos pintavam seus rostos para ridicularizar a manifestação artística do povo negro.

Reprodução: Wikpédia, um poster de um minstrel show em 1900, de William H. West

Somente com a emancipação dos escravos americanos em 1863, é que a dança e a música negra puderam sair da clandestinidade e passar a atingir os grandes públicos.

 

 

 

“Foram os negros que entretinham seus amos, que elevaram as mudanças da dança africana transformando-a em jazz, mas foram os brancos que começaram a dançá-la primeiro em lugares abertos”.

Fonte: Primeros Pasos en Jazz Dance. 1ª ed. Barcelona: Parramón Ediciones, 1987.

Essencialmente, a dança no contexto do Jazz davam suporte às narrativas do povo africano que desconheciam a escrita. Se desenvolviam paralelamente outras formas de manifestação como a “Blues Ballads” e as famosas “Worksongs” (músicas de trabalho) cantadas em coro. Com o passar do tempo, o estilo passou a sofrer influência de outros ritmos, como mambo, cha-cha-cha, conga, merengue, etc. O estilo também sofreu forte influência da música popular europeia, como a polca, quadrilhas, marchas, dança irlandesa e os bailes ingleses. Esses e outros estilos se somaram no decorrer do tempo, para formar o que conhecemos hoje como Jazz.

 

Descrição: African American Jazz Dance (Minns and Leon James)

O termo do mundo do Jazz “JAM”, frequentemente utilizado na dança contemporânea e ligado a improvisação, significa “Jazz After Midnight” pois depois da meia noite, os músicos que tocavam em New Orleans, colônia francesa nos Estados Unidos que se tornou reduto de novos ritmos no país, podiam tocar improvisos, ou seja, fazer Jazz.

Expressão, leveza e graciosidade

O “Lyrical Jazz” ou dança lírica, especificamente traz muito a tona movimentos leves e graciosos, absorvendo aspectos do ballet, e com muitas linhas de pernas, braços e acrobacias, absorvidos da Dança Moderna, expressando diversos sentimentos como paixão, tristeza e felicidade.

Foto: Creative Motion School of Dance Business Portal

Jennifer Fisher, professora associada de dança na UCI Clair Trevor School of the Arts, autora dos livros: “Nutcracker Nation: How an Old World Ballet Became a Christmas Tradition in the New World (Yale, 2003)”, (Nação Quebra-Nozes: Como um Balé do Velho Mundo se Tornou uma Tradição de Natal no Novo Mundo, em tradução livre), “Ballet Matters: A Cultural Memoir of Dance Dreams and Empowering Realities (McFarland, 2019), (o Ballet Importa: Memória Cultural da Dança dos Sonhos e Realidade Fortalecedoras, em tradução livre), definiu a dança lírica como:

“Fortemente associado a demonstração clara de emoções e humores, e coreografias de movimento rápido, ênfase na exibição virtuosística, ilustração das letras das músicas e, em forma de grupo, uníssono exato”

Fonte: When Goog Adjective Go Bad: The Case of the So-called Lyrical Dance”

A baliza, apresentando sua corporação, faz também o uso de movimentos graciosos e leves durante uma apresentação de entrada, a movimentação do braço com e sem o bastão também necessita de movimentos lineares cheios de expressividade através do sorriso, do garbo e do olhar.

Laura Urbania

Durante as coreografias utilizando aparelhos e/ou elementos cênicos são avaliados e observados, comumente no quesito dança a expressão facial e corporal, que deverá ter harmonia com o ritmo e música, a leveza e delicadeza dos movimentos e também sua precisão e linearidade, ou seja, movimentos bem começados e finalizados e com braços e pernas bem alongados quando necessário, e destacadamente dobrados quando necessário, para que fique clara a intenção sua intenção, se é dobrado ou alongado, forte ou fraco.

Tendo em vista os aspectos em comum entre o Lyrical Jazz e a função de uma Baliza, podemos experimentar e estudar possibilidades de juntar os dois em uma só composição, seja ela uma coreografia de entrada ou uma peça na concha. Isso pode ser realizado através da inclusão de movimentos de jazz que você já conhece ou então a criação de movimentos que você julgar adequado de acordo com as suas possibilidades reais, lembrando também que esses conhecidos movimentos de jazz, podem ser unidos com o uso dos aparelhos de Ginástica Rítmica e outros elementos, libere a sua criatividade e descubra novos jeitos de coreografar e dançar.

Se está precisando de ajuda, inscreva-se para fazer o curso online de baliza organizado por mim. Saiba mais neste link. O curso inclui atividades teóricas e práticas e cada aluna é avaliada individualmente por meio de vídeos. Os inscritos também fazem parte de um grupo de WhatsApp, destinado a compartilhar conhecimentos e trocar experiências. Participe!

Falamos sobre o trabalho das balizas no episódio 27 do podcast Em frente. Marche!, que você pode ouvir clicando aqui. Lá, Renata Caroline, baliza da Banda Marcial do Colégio Marista Pio XII e eu, discutimos alguns dos aspectos básicos da composição de coreografias, preparo físico e muito mais, não deixe de conferir.

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