Luiz Carlos Justino, um músico de 23 anos, havia sido preso na última quarta-feira (2), acusado de participar de assalto a mão armada ocorrido em 2017. Jovem foi solto neste domingo (6) por decisão judicial. O jovem é casado e pai de uma menino de 3 anos. Luiz é negro.

Luiz Carlos Justino foi solto neste domingo — Foto: Reprodução/TV Globo

Luiz Carlos contou a TV Globo que sentiu medo de morrer, e que não conseguir dormir desde quarta-feira, quando foi preso. O músico relatou que foi abordado pelos policiais depois de uma apresentação com parte da Orquestra de Cordas da Grota de Niterói.

Segundo Luiz Carlos, ele estava sem seus documentos na hora da abordagem policial, porque os que perdeu durante o carnaval. A esposa de Luiz, Mariana Soares do Nascimento, disse que ele já tinha perdido seus documentos duas ou três vezes, e que alguém teria usado e o incriminado.

Violoncelista da Orquestra de Cordas da Grota, preso por engano em blitz da PM, é solto no Rio - Jornal O Globo

A polícia afirmou que havia um mandato de prisão contra o músico, por causa de um assalto a mão armada, ocorrido na manhã de 5 de novembro de 2017. Mas os familiares do músico, afirmam que na época do crime, Luiz tinha um contrato fixo com uma padaria, onde tocava violoncelo, aos domingos pela manhã. A padaria fica a sete quilômetros de onde teria acontecido o crime.

Reconhecimento fotográfico

A juíza Fernanda Magalhães Freitas Patuzzo, que decretou a prisão preventiva, afirmou que a prisão era necessária para garantir tranquilidade da vítima, que reconheceu Luiz Carlos na delegacia.

A Polícia Civil foi questionada sobre a forma como foi feito o reconhecimento pela vítima, mas não deu respostas. Luiz Carlos não tinha antecedentes criminais quando foi registrado o crime. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) foi questionado sobre as provas nas quais se basearam para denunciar o músico, mas também não respondeu.

A decisão de soltura é do juiz André Luiz Nicolitt, que criticou o uso de reconhecimento fotográfico.

“Em termos doutrinários, o reconhecimento fotográfico é colocado em causa em função de sua grande possibilidade de erro. A psicologia aplicada tem se empenhado em investigar fatores psicológicos que comprometem a produção da memória. Neste ramo, encontramos contribuições que dissecam as variáveis que podem interferir na precisão (accuracy) da memória”, diz um trecho da decisão.”

O juiz disse ainda que não é possível saber se o autor do reconhecimento indicou um indivíduo reconhecido, confirmou uma opinião de terceiros, ou, até mesmo, se existiram dúvidas se o autor da conduta criminosa seria a pessoa da fotografia.

Músico desde criança

Segundo filho de uma família de seis irmãos, Luiz tomou gosto pela música logo cedo, aos seis anos de idade, quando entrou para a Orquestra de Cordas da Grota. O coordenador e maestro do projeto disse que ele sempre participou do projeto, desde a orquestra para iniciantes, até a orquestra principal, onde está hoje.

Família afirma que Luiz Carlos foi preso injustamente — Foto: Reprodução/ TV Globo

Quando criança, Luiz chegou a aparecer em uma reportagem para uma TV Alemã, que mostrava o projeto social.

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