Encerrando esta série sobre como treinar o seu instrumento, chegamos ao nível avançado. Neste ponto da prática musical, você já sabe exatamente o que é necessário para manter seu nível instrumental em dia.

Confira os textos sobre como treinar seu instrumento para os níveis iniciante e intermediário.

Do meu ponto de vista, o mais importante é que você se sinta bem tocando. Então, vou dar dez dicas para você melhorar a sua prática.

1 – Escolha os exercícios que você vai fazer

Você já teve contato com várias formas de praticar notas longas, agora escolha alguma maneira que você goste de fazer. Elimine dos seus estudos tudo aquilo que te deixa entediado. Se possível, faça uma compilação de todos os exercícios que você gosta em uma única rotina.

2 – Pratique mais aquilo que você tem mais dificuldade

Se você tem dificuldades em tocar notas rápidas, comece devagar e vá aumentando o ritmo com o passar do tempo, aos poucos. Se você treina uma escala com o metrônomo a 60 Bpm, aumente aos poucos, para ganhar agilidade. No próximo dia, faça com o metrônomo a 61 Bpm, depois 62 Bpm, e assim por diante. Não tenha pressa, faça bem feito.

3 – Escute muita música

Grande parte do que conseguimos fazer é por conta das referências que temos. Quanto mais você assistir pessoas tocando, mais identificação terá com a música que você faz. Por exemplo, se você toca tuba e busca no youtube: “Concerto para Tuba de Vaughan Williams”, você vai encontrar várias gravações com pessoas do mundo inteiro tocando de jeitos completamente diferentes.

Se parar e escutar com atenção, irá perceber que alguns instrumentistas fazem coisas iguais ao que você faz, e outros fazem completamente diferente. Isso é ótimo, pois são visões diferentes da mesma música. Não quer dizer que um está certo e o outro errado, é só uma questão de gosto.

4 – Escute instrumentos diferentes do seu

Cada instrumento tem a sua particularidade e é muito interessante ver como os eles trabalham dentro das suas características. É legal ver como um violino faz uma ligadura. Como as cordas tocam um pianíssimo, entre outras coisas.

5 – Escute cantores

Pode parecer estranho, mas é fundamental você escutar bons cantores. A voz é o nosso primeiro instrumento, e aquele que temos mais intimidade. Os bons cantores conseguem trabalhar a musicalidade de uma maneira que dificilmente um instrumento consegue fazer, são fraseados e expressões muito bem feitas. Podemos beber desta fonte e levar para o nosso mundo instrumental.

6 – Monte um grupo de câmara

Grande parte do aprendizado que podemos ter como instrumentistas, é tocando em quartetos, quintetos, trios e outras formações menores. Neste tipo de grupo, você não terá como se apoiar em outra pessoa para tocar. Se você não fizer a sua parte, ela vai fazer falta. Normalmente temos apenas uma pessoa tocando em cada voz. Isso faz com que você seja o único fazendo a harmonia ou a melodia. Isso é de extrema importância para o seu desenvolvimento musical.

7 – Respiração

Nosso instrumento é de sopro, então, nosso ar precisa ser bem trabalhado. Irei escrever sobre respiração em uma próxima coluna, mas isso não deve ser deixado de lado nunca.

8 – Grave o que você toca

Muitas vezes não conseguimos ouvir exatamente o que estamos tocando, por vários motivos: a projeção do som não é direta para nós; a ressonância que temos dentro da caixa craniana também nos faz escutar tudo de maneira diferente. Por isso, muitas vezes achamos que estamos executando algo com perfeição, mas se gravarmos, perceberemos que não soa exatamente como imaginávamos. É como acontece quando gravamos um áudio e escutamos a nossa própria voz no gravador, parece que não é nossa voz.

9 – Toque músicas todos os dias

Às vezes nos concentramos tanto em exercícios, que deixamos as músicas de lado. É importante tocar músicas sempre. Termine o dia com algo que você gosta muito de tocar. É legal terminar o dia tocando algo que você gosta. Se está soando bem, melhor ainda. Termine sempre pra cima!

10 – Toque sempre por prazer

O que nos faz escolher a música é o prazer em tocar um instrumento, em estar com os amigos e curtir um bom som. Se você está tocando apenas por obrigação, isto é um problema. O prazer em tocar uma música, em melhorar sua performance no instrumento e a performance do seu grupo, deve estar sempre presente. Se você não tem mais esse sentimento, está na hora de repensar o motivo de ser músico.

Como eu disse no começo deste texto, faça escolhas que façam bem para você. Caso tenha lido todas as colunas, pode ter sentido falta de alguma coisa, isso é natural, pois estou dando um ponto de vista do que funciona bem para mim. Um exemplo é o treino com o bocal, a famosa abelhinha. Em nenhum momento eu citei o treino com o bocal. Para mim não funciona. Quando eu praticava poucos minutos com o bocal durante o aquecimento, isso me fazia ficar com o som sujo, com muito chiado.

Esta é uma característica minha, para muitos outros músicos funciona muito bem. Eu ensino meus alunos como fazer e eles decidirão no futuro o que é melhor para eles. Então, se conheça e decida o que é melhor para você.

Deixo aqui alguns vídeos para ilustrar o conteúdo desta coluna:

Arnold Jacobs – “Concerto for Bass Tuba / R. V. Williams”:

Plácido Domingo – Puccini: Tosca, “E lucevan le stelle”:

Claudio Abbado – Mahler – Sinfonia nr. 5 – Adagietto:

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