Nas bandas marciais americanas atualmente, “color guard” é compreendido como um elemento visual e estético fundamental para a performance da banda. As coreografias, lançamentos e recuperações, acontecem simultaneamente às emoções transmitidas pela música, auxiliando na expressividade do grupo.

Neste post vamos contar um pouco da história da color guard e buscar compreender os elementos fundamentais dessa prática, que influencia corpos coreográficos em todo país.

Guarda das Cores

As “Color Guard “, ou “Guarda das Cores” em tradução livre, vêm de uma tradição militar similar ao nosso pavilhão de bandeiras. Cabia a um determinado destacamento militar cuidar e manter a bandeira no campo de batalha durante a guerra. Isso também ajudava o soldado em campo a identificar onde estava seu pelotão. 

File:Joint Armed Forces Color Guard at Super Bowl XLVII.jpg ...

As flâmulas, rifles de madeira e espadas, são elementos herdados ainda da tradição militar, mas é o manejo desses equipamentos que mudaram completamente o jogo, e dão novo significado para o “color guard”.

A ‘arte de balançar a bandeira’ Um presente de Suíço

A “Color Guard” americana recebeu um presente importante de um suíço famoso mundialmente, chamado Franz Hug pela prática do lançamento de bandeira. O “Flag Swinging” ou “Flag Throwing” é uma tradição folclórica da Suíça, principalmente da região de Lucerna. Junto com o lançamento de bandeiras estão o canto à Tirolesa, Trompa Alpina. 

Wip Namco Consolette 18" Photo inside - NEO-ARCADIA

Franz Hug levou essa tradição para a abertura dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, na Alemanha Nazista. Ele foi à frente da delegação, lançando a bandeira da Suíça e ficando mundialmente famoso com isso. No ano seguinte, introduziu a técnica de lançamento de bandeiras no Estados Unidos.

The World of Ephemera: A Swiss Folklore Evening – Annabookbel
Foto de Franz Hug com bandeira e trompa alpina autografada

Mas foi Leonard Haug, um diretor assistente da Banda da Universidade de Wisconsin quem passou a incluir um sessão de bandeiras que fizesse os lançamento do famoso suíço. No ano seguinte, Haug levou a técnica para a ‘Pride of Oklahoma Marching Band’, quando foi para a Universidade de Oklahoma. 

Em 1965, Leonard Haug combina a bandeira com um bastão no qual trabalhou por 10 anos, e que ele chamou de “Twirl-flag”, ou bandeira de rodopio em tradução livre. É basicamente um bastão de mais ou menos 80 centímetros (32” polegadas), pensadas para ser girado no mesmo eixo. 

Costumes | Star Line Double Flag Baton Set Of 2 Plus Flags | Poshmark

History of Colorguard | SutoriA “Twirl-flag” foi apresentada pela primeira vez com a Banda Marcial da Universidade de Arkansas, em 1966. 

Note que o projeto foi desenvolvido, tentando simular um centro de gravidade central a bandeira. Dessa forma, seria como segurar duas bandeiras suíças ao mesmo tempo. E com as adaptações seria possível a realização de diversos malabarismos com muita facilidade.

Porém, mesmo com todo o esforço do Leonard Haug, sua bandeira não se popularizou entre as bandas. No entanto, os bastões e bandeiras convencionais, passaram a ser muito mais populares. As acrobacias se desenvolveram até o que chamam de “Modern Color Guard”, que é a prática atual da “color guard” e suas rotinas técnicas.  Os anos 1960 foram de trabalho duro para difundir a “Color Guard” entre as bandas americanas. Logo no início dos anos 1960 surgiu um dos personagens mais importantes para a “Color Guard” dos EUA, e consequentemente para o mundo todo.

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Peggy Twiggs e o “Peggy Spin’

Peggy Twiggs é a responsável por incluir acrobacias na linha de bandeiras da “color guard”. Peggy cresceu em Revere, no estado de Massachussetts. No início dos anos 1960, ela fazia parte da banda de uma pequena escola, mais tarde conhecida como 27th Lancers, onde haviam muitos alunos envolvidos com a “color guard”. Depois de não ser aceita na “Drumline (percussão) da banda, porque meninas não eram permitidas, Peggy decidiu se juntar a “Color Guard”.

Em 1973, Peggy já tinha atingido a idade limite para participar das competições, então decidiu atuar nos bastidores, e com isso, mudar algumas práticas na “Color Guard”. Durante seu período nas competições, as linhas de rifle e sabres faziam mais acrobacias e coreografias, o que os americanos chamam de “routines” ou rotinas, que a linha de bandeiras. Esse grupo basicamente marchava durante toda a apresentação, diferente dos sabres e rifles.

Peggy começou a desenvolver rotinas para a linha de bandeiras e, com o apoio da direção da banda, desenvolveu a primeira “trick flag” line, ou seja, uma linha de bandeiras que realizavam “truques” com as bandeiras. Ela começou ensinando todos os tipos de giros e arremessos, e isso levou a incorporação das rotinas desenvolvidas por Peggy, incluindo o “Peggy Spin” na apresentação da 27th Lancers no DCI, em 1972.

A invenção da Peggy, se espalhou pelas bandas americanas, principalmente por causa do resultado visual, mas também por proporcionar aos alunos um aprendizado exclusivo sobre força, posicionamento, tempo, peso, equilíbrio, postura, foco e obviamente habilidades ambidestras. O desenvolvimento dessas técnicas para as “color guard” levou a atividade a um novo nível, que vem sendo desenvolvido pelas bandas americanas desde então.

Fundraiser for Den Pelissey by Sadie Wallace : Margaret "Peggy ...

Peggy se dedicou ao ensino de “Color Guard” em bandas locais e em 1978 fez parte da primeira edição do “Winter Guard International”, primeira competição dedicada exclusivamente a “Color Guards”.

Winter Guard International

Neste artigo contamos a história da “Color Guard” colocando ela no centro da pesquisa, mas na prática, nos EUA esses grupos não recebiam exatamente o mesmo tratamento que as bandas, principalmente no que diz respeito às competições. Fora isso, do ponto de vista de uma representação nacional dessa atividade, os grupos estavam mal atendidos e desamparados.

Justamente por causa dessas incompatibilidades, em meados de 1977 foi fundado o WGI, “Winter Guard International”, ou Guarda de Inverno Internacional em tradução livre. Trata-se de uma organização responsável principalmente pela realização das competições exclusivas de “Color Guard”, que acontecem em fevereiro, durante o inverno americano em ambientes fechados, por isso também são chamadas de competições “Indoor”.

Entre 1978 e 1992, a competição era exclusiva para “color guards”, mas grupos de percussão passaram a competir em uma categoria exclusiva a partir de 1992. Grupos de instrumentos da família dos metais “Winds”, passaram a competir em 2005

2016 WGI Color Guard Championships Photos - Open Class Finals ...

Hoje em dia, mais de 500 “color guards”, grupos de percussão e de metais competem em finais de semana separados. Aproximadamente 200 voluntários trabalham na realização do evento e 12.000 jovens se apresentam no evento. Para se ter uma noção do tamanho do evento, são 135 jurados treinados, distribuídos nas categorias da competição.

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Referências

https://www.phirhopsinational.com/

http://www.colorguardeducators.com/blog/

https://annabookbel.net/the-world-of-ephemera-a-swiss-folklore-evening

https://www.myswitzerland.com/en/experiences/flag-throwing/

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