As Bandas e Fanfarras sempre tiveram uma relação de amor com as trilhas sonoras do cinema e seus compositores. Nomes como John Williams e Hans Zimmer, até pouco tempo eram presença garantida entre as partituras de muita gente. 

Contudo, nessa semana o cinema e a música perderam uma de suas grandes estrelas. Ennio Morricone faleceu aos 91 anos na Itália, sua terra natal. Morricone deixa uma vasta obra de mais de 500 trilhas sonoras compostas para TV e Cinema, e mais uma série de inovações trazidas por ele em cada novo projeto. É dele as trilhas de filmes como Os Oito Odiados, Django Livre, Os Intocáveis e mais uma série de outros filmes grandes filmes.

Para celebrar a vida e a obra de Morricone e te dar a chance de conhecer a música desse compositor (caso ainda não conheça), preparamos uma lista com os maiores sucessos da carreira de Morricone para você.

Ennio Morricone | [ www.youtube.com/watch?v=WSkyoyyvnAY ] Ca… | Flickr

“Por um Punhado de Dólares” (1964)

Por um Punhado de Dólares, é o primeiro filme da chamada Trilogia dos Dólares, do diretor Sergio Leone. Também é o primeiro filme do diretor onde a trilha sonora foi composta por Ennio Morricone.

Nessa música somos apresentados a uma experiência altamente sinestésica e ouvimos pela primeira vez a uma assinatura de Morricone que passaria a ser inconfundível, o assobio. 

Existe uma curiosidade de bastidores que diz que o diretor prolongava certas cenas, apenas para deixar a música tocar na íntegra. 

“Três Homens em Conflito” (1966)

Este é o último filme da trilogia dos dólares, e é também o clímax das trilhas sonoras de filmes de velho-oeste compostas por Morricone. Nessa trilha, a ideia desenvolvida desde o primeiro filme, é resolvida em uma composição grandiosa, mas ainda preserva o assobio e a guitarra distorcida que dão identidade a peça. 

A inovação que Morricone trás na trilha sonora deste terceiro filme, foi associar personagens a instrumentos musicais, acionando uma identificação e relação fixas entre personagens e música.

Essa música se tornou tão influente, que até o Metallica colocou ela nos seus Shows.

“Era Uma Vez no Oeste” (1968)

Ao invés do tom tenso e sombrio das trilhas da ‘trilogia do dólar’, dessa vez Morricone apostou em um tema mais romântico, e até mais melancólico.

Nesta obra Morricone também criou temas exclusivos para cada personagem. As trilhas foram gravadas antes do início das filmagens e o diretor Sergio Leone tocava as músicas no estúdio para os atores ouvirem enquanto atuavam.

“Queimada!” (1969): 

Nessa composição, Ennio Morricone apresenta sua versatilidade, desvencilhando-se do clima de faroeste, mas sem deixar de lado sua habilidade particular em compreender a intenção do filme. 

Aqui temos uma música mais movimentada, com percussão e um coral que dialoga com suas obras anteriores, mas desta vez com estilo quase religioso. Essa impressão é reforçada pelo uso de um Órgão. 

“1900” (1976)

Clarinetes que contam histórias: sejam elas de amor, de guerra, de amizades ou de contrastes e que depois explodem no caos de uma orquestra. Tonalidades que conseguem mostrar através do som a odisseia e a mudança de uma época.

“Era uma vez na América” (1984): 

Essa obra marca o fim da parceria entre o diretor Sergio Leone e Ennio Morricone. Talvez fosse o clima de despedida, mas a música ficou famosa por sua ‘mística’ flauta melancólica característica. 

No entanto, ela também marca uma injustiça sofrida por Morricone, ele não concorreu ao Oscar de melhor trilha sonora, porque acidentalmente seu nome foi cortado dos créditos iniciais do filme, para ficar mais curto.

“A Missão” (1986)

A Missão, longa de 86 de Roland Joffé e uma das mais relembradas trilhas sonoras de Morricone, é outro exemplo de sua habilidade de capturar intensões e sentimentos e depositá-las na música.

Contando a história de um missionário jesuíta na América do Sul, A Missão combina cantos litúrgicos com batidas, cantos hispânicos e cordas, que refletem as diferentes culturas retratadas no filme. Marcando sua segunda indicação ao Oscar – a primeira foi pelo memorável trabalho em Cinzas no Paraíso (1978) – Morricone sempre reiterou que este seu trabalho certamente deveria ter vencido a estatueta, até porque o ganhador, Por Volta da Meia-Noite, de Herbie Hancock, gerou controvérsias por usar peças musicais compostas anteriormente. 

“Os intocáveis” (1987)

Morricone também criou uma de suas músicas mais memoráveis em sua parceria com Brian DePalma no drama Os Intocáveis, de 1987, relembrado principalmente por aquela sinfonia de trompetes, e uma melodia que não apenas combina perfeitamente com a atmosfera do submundo dos crimes nos EUA, como cria um sentimento de expectativa crescente. Ninguém nunca vai esquecer da atuação de Robert DeNiro e de sua música tema composta por Morricone.

“Cinema Paradiso” (1988): 

Apesar de ser lembrado pelo tom forte e extravagante de faroestes, histórias de crime ou drama, uma de suas obras mais sensíveis está em Cinema Paradiso, de 1988, o longa que marcou o início de sua parceria com o diretor italiano Giuseppe Tornatore.

Para embalar a história de vida de um cineasta e o nascimento de seu amor pelo cinema, Morricone investiu em um instrumental mais intimista e delicado, com piano, celesta e cordas. 

“Os Oito Odiados” (2015)

A trilha para “Os Oito Odiados” rendeu o primeiro Oscar a Morricone depois de cinco derrotas. Após fazer a trilha de, “Django Livre”, Quentin Tarantino confia a trilha do seu faroeste a Ennio Morricone. Essa volta aos filmes do gênero faroeste depois de 35 anos resulta em uma obra criativa: oboé e piano, acompanhados por sons de uma caixa de música, fundem-se em um ar lúgubre para acompanhar a ansiedade, o terror e os calafrios criados pelo diretor. 

A experiência e sensibilidade de Morricone ficaram evidentes nessa peça, mostrando que ele ainda poderia contribuir muito, e que o tempo apenas aprimorou seu gênio de compositor.

Comente qual é sua música favorita de Ennio Morricone. Deixe sua própria lista nos comentários.

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