São muitos os fatores que posso usar para eleger qual o melhor “low brass” entre as bandas. E vou dizer todos aqui.

O primeiro deles e mais óbvio, é que vou falar sobre os que eu vi. Sempre vai ter aquela pessoa falando que em 1912 tinha uma banda, lá no interior do Espírito Santo… Bem, essa eu não vi, então não tem como falar. Vai ser um texto que começa em 1995, então… muita calma.

Timbres

Um bom “Low Brass” se faz com um conjunto de coisas. Por exemplo, a combinação de timbres, a mágica de fazer os instrumentos soarem bem. Neste quesito, posso falar dos naipes de tubas e eufônios da Fanfarra Irmã Dina de Sion.

Tive a oportunidade de assistir de frente algumas vezes e fiquei realmente impressionado. Acho que a peça “Lexicon of the Gods”, do Rossano Galantte, foi uma ótima escolha, mas a que me marcou mais foi “Red Rock Mountain“, do mesmo compositor, com a banda ainda na categoria juvenil. É incrível a fusão de sons, a timbragem desses naipes. Não sei exatamente se estudam com o mesmo professor, mas tudo soa muito bem quando estão tocando.

Arranjo

Outro aspecto importante para valorizar o naipe é o arranjo. Não adianta, para soar bem, a pessoa tem que saber escrever para o instrumento. Vejo isso muito claro na Lyra de Mauá. São arranjos que exploram muito bem as características de cada instrumento. Saber exatamente os limites, onde cada um soa melhor, como combinar as vozes, tudo isso é de extrema importância para um melhor resultado. Os arranjos da Lyra de Mauá fazem isso muito bem. Quando ouvimos a banda de frente, nada é estranho, nada parece forçado, essas são características de um bom arranjo. Além da precisão deste grupo, que não deixa nada fora do lugar, ninguém sobra.

O Paulo e o Esquerdinha reagiram a apresentação da Lyra de Mauá, e também comentaram sobre os aspectos técnicos da apresentação.

Musicalidade

A musicalidade é um item essencial, pois o “low brass” não vive só de força. Um dos exemplos de grande musicalidade é o da Banda João de Deus tocando a música Dragon Fight. Excelentes fraseados, uma expressividade que não é fácil de conseguir.

Essa música tem um começo muito tenso e, quando chega no trecho lento, é necessária uma mudança radical no espírito da banda. Além de tudo, o trecho lento é grande e em alguns momentos é forte, é muito fácil a banda se empolgar demais e exagerar, isso não acontecia com o João de Deus. Em seguida um trecho misterioso, muito bem executado pela banda. É daqueles que devem ser lembrados por quem gosta do meio marcial.

Conjunto

Como foi dito na coluna anterior, o conjunto é muito importante. Nesse quesito o “low brass” da Lyra Santana de Parnaíba foi muito bem, tocando a música Persis Overture.

O conjunto abrange muitas coisas e, como acompanhei o processo de perto, posso falar com propriedade. A presença nos ensaios foi grande, o comprometimento com o grupo, com a música. Todos sabiam exatamente qual o seu papel durante a peça, a sua importância. Uma nota longa era tocada com o mesmo empenho que um solo. Isso faz toda a diferença no resultado. O entrosamento foi fundamental, para isso não teve outro jeito, muito ensaio! Todos juntos o tempo todo, conhecendo um ao outro, a maneira que cada um toca, suas caraterísticas, suas dificuldades e facilidades. Isso fez surgir uma boa equipe.

Citando rapidamente alguns grupos também importantes, temos o “low brass” da FAMA, que tem um ótimo conjunto e faz muito bem o preenchimento de espaços durante a música. Você ouve a música de maneira contínua, sem buracos. Outro bom grupo é o da Orquestra Armando Arruda, que segue a linha de grande musicalidade que veio com o Juninho, do João de Deus.

Aproveito aqui para puxar um pouco a sardinha para o “low brass” da banda Noé Azevedo. O grupo sempre foi excelente, muito preciso, com o percentual de erro muito baixo. Mas entendo que perto do naipe de trompetes, dificilmente alguém iria prestar muita atenção no “low brass“. Mas fazíamos muito bem a nossa parte.

Agora, finalmente chegando ao grande “low brass” que eu vi. Não poderia ser outro, é o da Banda do Colégio João XXIII. Era uma coisa impressionante! Confesso que não vi de frente muitas vezes, pois eu sempre estava na concentração, esperando pra entrar com o Noé, mas quando podia, fazia questão de assistir.

Na minha opinião, é o grupo que ganha pelo conjunto da obra. Um som maravilhoso, um arranjo muito bem escrito, musical, afinado, um peso incrível nos momentos de força e uma suavidade impecável quando necessário. Um naipe de eufônios grande, que ajudava o conjunto a soar bem. A precisão dos trombones. Tensões e relaxamentos sempre muito bem trabalhados. O “low brass” do João XXIII não era para ser ouvido, era para ser sentido.

Eu conheci muitos integrantes da banda, vários deles por estudarem música em escolas como a ULM ou Escola Municipal de Música de São Paulo. Esse interesse por estudar música de verdade, ajudou muito para que todos tivessem boas referências, e que essa qualidade se espalhasse por toda a banda. Mesmo os que não tinham a música como profissão, tinham um compromisso em fazer bem o seu papel.

LP Colégio João XXIII – Lados A e B | PLANETABANDAS®BR

Uma música marcante executada pela banda foi Inferno, de Robert W. Smith. Toda a banda é muito boa, os efeitos da percussão dão um clima diferente à música. Mas, o ambiente que o low brass dá a música é fantástico. Todas as vezes em que assisti a essa peça, não ouvi apenas notas, eu ouvi uma história sendo contada.

Hoje, coloco o link da banda João XXIII. Infelizmente não tínhamos uma captação de som como hoje, ou pelo menos um celular com uma câmera boa. Mas, vale a lembrança.

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