O que os melhores do Circuito dos Amigos 2019 têm a dizer?

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No episódio dessa semana do podcast ‘Em frente. Marche!’, fizemos uma análise dos aspectos técnicos da final do Circuito dos Amigos 2019, vencido pela Corporação Musical Lyra de Mauá. Se ainda não ouviu, clique aqui e ouça já!

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Marim Meira, Maestro da Corporação Musical Lyra de Mauá

Nessa análise tivemos a oportunidade de observar como o trabalho das bandas foi julgado pelos avaliadores da competição. Dessa vez, decidimos conversar com quem planejou e preparou o grande espetáculo visto na final em Joanópolis: Marim Meira, Maestro da Lyra de Mauá e Roberto Vigiane Júnior (Juninho), Maestro da Orquestra de Metais Armando Arruda Pereira, Vice-Campeã da competição, por uma diferença de apenas 1,25 pontos.

Procuramos entender a estratégias dos líderes de cada

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Roberto Vigiane Junior (Juninho), Maestro da Orquestra de Metais e Percussão Armando Arruda Pereira

 corporação, seus diagnósticos a respeito das bandas concorrentes, suas impressões sobre a estrutura do evento e muito mais. Continue lendo e aprenda junto com a gente as lições desses campeões.

O repertório

Como comentamos no podcast, o repertório da categoria sênior contou com grandes composições e brilhantes adaptações, que permitiram às bandas apresentar todo seu elevado nível técnico, além de emocionar os presentes. A Lyra de Mauá apresentou a Ópera de Otello e a Banda Armando, apresentou a Transcendent Jouney’, do Rossano Galante. Perguntamos aos maestros quais foram os fatores determinantes para a escolha do repertório para a competição.

Marim Meira: Uma obra completa! Completa no sentido de ter os elementos que seriam avaliados e trouxesse emoção ao público presente.

Roberto Vigiane Júnior (Juninho): O critério utilizado para escolha da peça foi justamente ser uma peça de alto nível técnico. Eu considero que, entre as concorrentes, a gente estava com uma das peças de mais alto nível técnico. Com um bom início, um lento bonito, pontos de ápice de impacto… Então, esses foram alguns dos critérios que que eu utilizei na escolha do repertório.

Os Concorrentes

A preparação das bandas para a competição envolve diferentes fatores, que precisam ser pensados com muita antecedência para que a equipe esteja preparada para o que irá enfrentar nas pistas. A análise dos concorrentes e a definição das estratégias da corporação fazem parte desse processo, por isso perguntamos aos maestros quais foram as estratégias adotadas na competição e também qual foi o diagnóstico que cada um fez sobre as demais bandas na mesma categoria.

– Marim Meira: a estratégia era procurar minimizar ao máximo todo e qualquer tipo de erro. Sabíamos que seria uma competição de nível altíssimo, com algumas das melhores bandas do Brasil. Sabíamos que todas iriam procurar se superar sobre tudo que haviam feito esse ano. Então, quem tivesse mas segurança teria maiores chances.

Roberto Vigiane Júnior (Juninho): esse ano no circuito amigos, não tivemos as corporações que comumente já participavam e que eu pessoalmente, o ano passado com Armando e em outros anos com a João de Deus, já estava competindo, já tinha experiência competindo com essas corporações. Mas esse ano, teve uma novidade que tanto Mauá quanto Sion participaram. Eram corporações novas que fazia um certo tempo que eu não competia contra. Então a gente sabia que o nível dessa competição esse ano seria mais complicado, mais duro, e para conseguir aparecer na foto e estar no nível da competição, a gente precisaria ter um repertório bem desafiador e de alto nível, e foi aí que a gente escolheu a peça que a gente apresentou esse ano, a ‘Transcendent Jouney’, do Rossano Galante.

As Avaliações

Não é preciso dizer que uma boa competição passa necessariamente por regras claras justas, além de um corpo de jurados competente e experiente, que sejam capazes de proporcionar as bandas uma avaliação isenta, correta e bem fundamentada, para que as bandas possam de fato encontrar seus principais pontos de melhoria e recebam a ajuda dos profissionais que avaliam as competições através de apontamentos uteis e construtivos. Perguntamos aos maestros se, na opinião deles, consideram que suas corporações e as concorrentes foram corretamente avaliadas em todas as etapas do Circuito dos Amigos 2019.

– Marim Meira: Discordei de algumas notas e comentários em algumas etapas, mas isso faz parte da disputa. Se você aceita participar, deve saber que nem sempre as avaliações serão as mais coerentes. Acredito que alguns aspectos precisam ser avaliados de forma mais objetiva e clara. Hoje temos as gravações e lives, ou seja, você já sabe tudo que fez poucos minutos após sua apresentação. E isso muitas vezes mostra que a avaliação não foi a mais coerente ou até mesmo a mais justa.

Roberto Vigiane Júnior (Juninho): Bem essa pergunta sobre avaliação é uma pergunta polêmica. Mas, no geral, acho que o Circuito dos Amigos 2019 teve altos e baixos. No nosso caso, na etapa de Nazaré Paulista, a gente foi muito bem avaliado os comentários e notas foram totalmente coerentes, nada a questionar. Em compensação, a etapa de Itaquera a gente foi muito mal avaliado. O problema na minha opinião, foi mais a questão de utilizar avaliadores com pouca experiência em campeonatos como avaliadores, para estar num campeonato de tão alto nível. Deixando claro que não estou questionando a qualidade técnica dos avaliadores e sim a falta de experiência, de maturidade nesse tipo de competição, onde é complicado você pontuar. Se você perder o critério, e perder a noção entre as corporações, você pode cometer injustiças, que eu acho que foi o que aconteceu. Acho que os avaliadores se perderam lá em Itaquera. Na final em Joanópolis eu acho que ganhou quem tinha que ganhar. Tenho algumas considerações em relação a algumas notas mas, no final das contas, ganhou quem tinha que ganhar. Então a gente sai satisfeito com nosso resultado e com o resultado final do circuito.

Infra-estrutura e Organização

Outro fato que tira o sono de todos os maestros de corporações competitivas, é a infra-estrutura oferecidas pelos organizadores dos eventos. Trata-se de um grande desafio organizacional e de infra-estrutura. Normalmente as cidades sedes das competições recebem várias corporações, com os mais diferentes números de participantes. A integridade, segurança e dignidade dos membros das corporações estão em jogo. Portanto, para qualquer maestro, é fundamental escolher com muito cuidado os destinos de seus alunos. Perguntamos aos maestros se ficaram satisfeitos com a infra-estrutura oferecida pelo Circuito dos Amigos 2019.

– Marim Meira: Gostei muito de tudo que presenciei nos eventos. Acredito que algumas melhoras poderiam acontecer, mas de forma geral, foi tudo muito bem feito. Parabéns aos organizadores.

Roberto Vigiane Júnior (Juninho): Até onde eu sei, cada etapa é responsável pela sua organização. E, em geral , as organizações foram bem executadas. Em Nazaré Paulista não tivemos nenhum problema, embora o clima lá estivesse chuvoso. O concurso teve que ser mudado para o ginásio. Mas tudo correu muito bem em Nazaré Paulista. Em Itaquera tudo correu muito bem também, a única ponderação que existe em relação ao Campeonato de Itaquera, a gente inclusive conversou com o pessoal da organização do Dom Bosco, relacionado a infraestrutura física para acolher as corporações, no sentido de trocar de uniforme, manter material… Porque a gente do Armando, por exemplo, que tem banda e fanfarras sofre um pouco, porque a fanfarra toca, e aí como os ônibus ficam longe do local, não dá para ir até o ônibus se trocar e depois colocar o uniforme da banda. Então, o que acaba acontecendo é que tem que deixar o material do próprio lugar e lá não tem lugar físico para conseguir acolher. Cederam para a gente, muito gentilmente, o pessoal da organização tentou ajudar e cederam uma sala mas, uma corporação de mais de 100 pessoas em uma sala pequena, ou seja, não coube todo material, ficou material nos corredores e assim é perigoso perder material, sumir coisas. A gente teve que ter uma logística cuidando disso, para que a gente não sofresse tanto lá. E em Joanópolis também, a organização, a infra-estrutura do próprio campeonato em si. Ali na avenida foi muito legal. O único porém, é que existe a questão do da situação ideal para o campeonato. E no caso aquela ela Avenida de paralelepípedo, com as irregularidades que tinham, não proporcionam as corporações darem o seu 100%. Obviamente, se é ruim para uma corporação, é ruim para outra. Então, isso não é um ponto de injustiça. A unica questão é que as corporações não conseguem desempenhar 100% papel de pista lá. Mas, eu diria que foi o único ponto, a unica observação que eu tenho em relação ao campeonato. O restante foi tudo ok e a gente tá bem satisfeito com toda a organização do circuito.

Lyra de Mauá e Banda Armando voltarão a se enfrentar  no Circuito dos Amigos em 2020?

– Marim Meira: Acredito que sim, o Circuito está trilhando um caminho muito interessante, talvez a minha única sugestão é de que tivéssemos mais conversas, de repente teríamos mais ideias para deixar este evento muito mais incrível. Gostaria de deixar registrado aqui neste espaço que tenho muito apreço, os meus mais sinceros parabéns aos participantes do Circuito 2019, tenho certeza de que escrevemos lindas páginas na história das bandas e fanfarras do nosso Brasil. Tenho plena convicção de que incentivamos muito o nosso movimento. Que em 2020 tenhamos muitas outras surpresas tão incríveis como tivemos em 2019.

Muito obrigado por todo apoio, carinho e respeito que tivemos aqui com vocês do Em Frente. Marche!

Roberto Vigiane Júnior (Juninho): Com certeza o Armando participará em 2020 do Circuito. Inclusive o repertório do ano que vem já foi escolhido e podem aguardar que a gente vai trabalhar muito para superar o trabalho que foi apresentado 2019. Nos aguardem, será um ano fantástico! Abraço a todos.

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Agradecemos a gentileza dos Maestros Marim e Juninho por doarem seu tempo atendendo e respondendo às perguntas da nossa reportagem.

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